XV de Piracicaba oficializa venda de 90% da SAF e projeta investimento de R$ 175 milhões em dez anos
Entrada de novos investidores, com participação de Luis Fabiano, marca nova era no Nhô Quim;
O XV de Piracicaba vive um dos momentos mais importantes de sua história recente. O clube anunciou a cessão de 90% das ações de sua SAF aos grupos CFAW Brasil e Dry Telecom, em um acordo que conta com a participação do ex-atacante Luis Fabiano entre os acionistas. A operação foi classificada internamente como histórica e representa uma mudança estrutural no modelo de gestão do clube.
Atualmente disputando a Série A2 do Campeonato Paulista — longe da elite estadual desde 2016 — e a Série D do Campeonato Brasileiro, o XV passa a ter uma perspectiva de crescimento esportivo e financeiro. A proposta aprovada pelo Conselho Deliberativo prevê um compromisso de orçamento total de R$ 175 milhões ao longo de dez anos.
Segundo o vice-presidente do clube, Guilherme Supriano, o valor não significa aporte direto e imediato por parte dos investidores. O montante está vinculado ao sucesso do projeto e poderá ser composto por receitas como cotas de campeonatos, patrocínios e outras fontes. Ainda assim, o clube precisará atingir esse patamar de orçamento no período estabelecido.
Hoje, o XV trabalha com um orçamento anual entre R$ 8 milhões e R$ 9 milhões. Com a SAF, a média prevista é de R$ 17,5 milhões por temporada, praticamente o dobro do valor atual. Os recursos também estarão atrelados a metas esportivas, com aumentos proporcionais conforme o clube avance de divisões, como em uma eventual disputa da Série C.
Do total previsto no acordo, R$ 30 milhões serão destinados à construção de um novo Centro de Treinamento, com prazo estimado entre dois e cinco anos. Outro ponto central do projeto é a modernização do Estádio Barão da Serra Negra, que deve ser transformado em uma arena multiuso, com espaços gastronômicos e foco também no fomento ao turismo local. Por se tratar de um estádio municipal, os investimentos privados serão viabilizados por meio de articulação entre os governos estadual e municipal, intermediada pelos controladores da SAF.
No campo esportivo, o planejamento traça objetivos claros: em até sete anos, o XV pretende disputar de forma regular o Paulistão, a Série B do Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil, recolocando o clube em competições de maior visibilidade nacional.
Com a aprovação do Conselho Deliberativo em 16 de dezembro, o clube iniciou um período de transição de 90 dias. Até o fim da Série A2, a gestão seguirá integralmente sob responsabilidade da associação. A partir da disputa da Série D, a administração da SAF assumirá de forma definitiva.
Entre as primeiras definições, já está confirmado Elias Barquete Albarello como CEO da SAF. O executivo tem passagens por São Paulo, Ferroviária, Primavera e Vilafranquense, de Portugal.
O XV já funcionava juridicamente como SAF desde 2022, com 100% das ações pertencentes ao clube associativo, aguardando propostas. Nesse período, a diretoria promoveu uma reestruturação administrativa e financeira, além de conduzir a recuperação judicial, que permitiu mapear dívidas atualmente estimadas em R$ 12,5 milhões.
O estatuto da SAF preserva as tradições do clube, proibindo alterações de nome, escudo, cores e cidade. As negociações com os investidores começaram em julho e contaram com participação ativa de Luis Fabiano no processo.
Para a diretoria, o acordo coloca o XV de Piracicaba em um novo patamar de gestão no futebol brasileiro. A expectativa é que o projeto permita não apenas estabilidade financeira, mas também o retorno do Nhô Quim ao protagonismo esportivo, resgatando a tradição que marcou a história do clube no interior paulista.



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