Do milagre ao colapso: Leicester passa de campeão histórico à beira da terceira divisão
Uma década após título improvável, clube enfrenta crise marcada por erros de gestão e decisões esportivas
Há dez anos, o Leicester City Football Club protagonizava uma das maiores histórias da história do futebol ao conquistar a Premier League 2015/16 com odds de 5.000 para 1. Sob o comando de Claudio Ranieri, nomes como Jamie Vardy, Riyad Mahrez e N’Golo Kanté entraram para a história.
Uma década depois, o cenário é oposto. O Leicester ocupa a parte de baixo da EFL Championship e corre risco real de queda para a terceira divisão, agravado por uma punição de seis pontos por infrações financeiras.
O início da queda
A trajetória descendente começou pouco tempo após o título. Mesmo sendo campeão, Ranieri foi demitido menos de um ano depois, decisão que marcou o início de uma sequência de mudanças instáveis no comando técnico. Seu sucessor, Craig Shakespeare, conseguiu evitar o rebaixamento, mas não trouxe estabilidade duradoura.
A passagem de Claude Puel manteve o clube no meio da tabela, sem protagonismo. Em paralelo, o Leicester enfrentou um golpe institucional com a morte do presidente Vichai Srivaddhanaprabha em 2018, fato que impactou profundamente a estrutura do clube.
A última fase de sucesso
O período mais consistente após Ranieri veio com Brendan Rodgers. Sob seu comando, o Leicester terminou duas vezes em quinto lugar na Premier League e conquistou a FA Cup em 2021, vencendo o Chelsea Football Club na final.
Mesmo com resultados relevantes, Rodgers foi demitido em meio à luta contra o rebaixamento. A decisão abriu caminho para uma sequência de trocas que culminaram na queda para a Championship.
Gestão instável e contratações problemáticas
Se dentro de campo houve oscilações, fora dele o cenário também foi turbulento. O clube perdeu ativos importantes sem retorno financeiro, como Youri Tielemans, que saiu gratuitamente. Embora tenha acertado ao vender Wesley Fofana por alto valor, o Leicester falhou em manter consistência nas reposições.
Desde 2021, várias contratações caras não entregaram o desempenho esperado. Jogadores como Patson Daka e Jannik Vestergaard simbolizam investimentos com baixo retorno esportivo.
Um declínio acelerado
A soma de decisões questionáveis — desde a saída precoce de Ranieri até falhas no mercado de transferências — criou um efeito acumulativo. Mudanças constantes de treinadores, falta de alinhamento interno e planejamento esportivo inconsistente levaram o clube a perder competitividade rapidamente.
O Leicester, que há uma década desafiava todas as probabilidades, hoje enfrenta um cenário que evidencia como erros repetidos podem comprometer até mesmo as histórias mais improváveis de sucesso no futebol.



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