Mercedes e RB Powertrains podem ter achado brecha no regulamento de motores da F1 para 2026
Suposta “área cinzenta” na taxa de compressão geométrica reacende disputa técnica às vésperas da nova era da categoria
A corrida para desenvolver o carro mais competitivo da Fórmula 1 em 2026 ganhou um novo capítulo. Mercedes-AMG Petronas Formula One Team e RB Powertrains teriam identificado uma brecha no novo regulamento de motores, o que pode resultar em vantagem técnica relevante logo na introdução do próximo pacote de regras.
Além de equipar seu próprio time, a Mercedes será fornecedora de unidades de potência para Alpine, McLaren e Williams a partir de 2026. Já a RB Powertrains atua em parceria com a Ford nos carros da Red Bull Racing e da RB.
O ponto central da discussão envolve a chamada taxa de compressão geométrica dos cilindros — indicador de quantas vezes a mistura de ar e combustível é comprimida dentro do motor. No regulamento vigente entre 2022 e 2025, esse limite era de 18. Para 2026, a Fórmula 1 reduziu a razão máxima para 16, como parte das mudanças voltadas a eficiência e sustentabilidade.
Segundo publicações especializadas, as duas fabricantes teriam encontrado uma forma de contornar essa limitação e, na prática, operar novamente com compressão equivalente a 18. O detalhe técnico estaria ligado ao método de verificação previsto no regulamento: a medição da taxa de compressão é feita com o carro parado e em temperatura ambiente.
A interpretação explorada pelas equipes envolveria o uso de materiais capazes de se expandir com o aumento da temperatura durante o funcionamento em pista. Com isso, a compressão efetiva poderia aumentar quando o motor estivesse em condições reais de corrida, sem infringir diretamente o procedimento de medição descrito nas regras.
Como o regulamento não exige que essa verificação seja realizada com o carro em movimento ou em temperatura de operação, a situação é classificada como uma “área cinzenta” — quando o texto permite mais de uma interpretação técnica. Ainda não há detalhes públicos sobre como exatamente essa solução teria sido implementada.
Rumores no paddock indicam que o possível ganho decorrente dessa abordagem pode chegar a cerca de três décimos por volta, uma diferença expressiva em um cenário de equilíbrio técnico. Diante disso, outras equipes avaliam apresentar protestos formais antes do GP da Austrália, caso não haja esclarecimentos ou mudanças no regulamento.
Fabricantes rivais como Ferrari, Audi e Honda teriam solicitado esclarecimentos à FIA, citando o princípio de que os carros devem estar em total conformidade com as regras “em todos os momentos durante uma competição”.
A FIA confirmou que o tema será debatido em fóruns técnicos e não descartou ajustes no regulamento ou nos procedimentos de medição. Em nota, a entidade reconheceu que a expansão térmica pode alterar dimensões em condições de uso, embora as regras atuais não prevejam medições sob calor.
Com a nova era da Fórmula 1 se aproximando, o episódio reforça como detalhes técnicos podem definir vantagens decisivas e como a disputa fora da pista tende a ser tão intensa quanto a batalha nas corridas em 2026.



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