Presidente do Corinthians veta venda de André ao Milan e cria impasse milionário
Osmar Stabile recusa assinar transferência de 17 milhões de euros e negócio pode ter desdobramentos jurídicos
A negociação que parecia encaminhada para levar o volante André ao Milan ganhou contornos de incerteza neste domingo. O presidente do Corinthians, Osmar Stabile, decidiu não assinar o contrato de venda do jogador ao clube italiano, que ofereceu 17 milhões de euros — cerca de R$ 103 milhões — pela transferência.
O recuo ocorre um dia após a revelação pública do acordo, que era tratado como certo pelo estafe do atleta e considerado avançado internamente no clube. Faltava apenas a assinatura do mandatário corintiano para formalizar a operação, mas Stabile vetou a conclusão do negócio sob o argumento de que os valores apresentados não refletem o real potencial de mercado do jogador.
Estrutura da proposta do Milan
A oferta do AC Milan envolve a compra de 70% dos direitos econômicos de André, que pertencem ao Corinthians. O modelo proposto prevê 15 milhões de euros fixos (cerca de R$ 91,14 milhões) mais 2 milhões de euros em bônus (aproximadamente R$ 12,15 milhões).
As variáveis estariam condicionadas à participação do volante em 20 partidas pelo Corinthians, com ao menos 45 minutos em campo, até a paralisação do calendário para a disputa da Copa do Mundo. Além disso, o clube brasileiro manteria 20% do lucro em uma eventual futura venda do atleta.
O contrato também previa que André assinasse vínculo de cinco anos com o Milan, mas só viajaria para a Itália no meio do ano, já que as janelas europeias estão fechadas neste momento.
Para viabilizar o acordo, o jogador abriria mão dos valores referentes aos 30% restantes de seus direitos econômicos. Segundo o estafe do atleta, houve troca de minutas e assinaturas de praticamente todos os envolvidos — com exceção do presidente do Corinthians.
Divergência sobre validade do acordo
No entendimento do estafe de André, a proposta já possui caráter vinculante. Caso o Corinthians formalize a desistência, o Milan poderia acionar o clube brasileiro na Fifa por quebra unilateral de contrato, o que abriria espaço para disputa jurídica internacional.
Por outro lado, a posição oficial do Corinthians é de que o negócio só pode ser considerado fechado com a assinatura do presidente. Para a diretoria, as trocas de documentos e discussões contratuais fazem parte do processo negocial e não configuram conclusão definitiva sem a anuência formal do mandatário.
Stabile bateu o martelo neste domingo e pretende comunicar oficialmente sua decisão em reunião marcada para segunda-feira. Ele optou por não tratar publicamente do tema antes da partida contra o Novorizontino.
Repercussão interna e pressão externa
A possível venda de André provocou forte reação entre torcedores nas redes sociais, o que aumentou a pressão sobre a diretoria. Após a eliminação na semifinal do Campeonato Paulista, o técnico Dorival Júnior criticou a negociação.
O treinador afirmou que o volante de 19 anos vale “muito mais no mercado” e destacou que o clube precisa priorizar retorno técnico antes do financeiro. Também reclamou da necessidade constante de reconstruir o elenco em meio a saídas frequentes.
Na sequência da entrevista coletiva, o executivo de futebol Marcelo Paz reforçou que o acordo ainda dependia da decisão do presidente, embora tenha reconhecido que o Corinthians precisa vender jogadores para equilibrar as finanças.
Perfil e valorização do atleta
Formado nas categorias de base do Corinthians, André foi promovido ao time profissional por Dorival Júnior e rapidamente ganhou espaço. Até o momento, soma 24 partidas pela equipe principal, sendo dez como titular, e marcou quatro gols.
A diretoria entende que o volante ainda pode se valorizar significativamente, especialmente se mantiver sequência como titular e ampliar participação em competições nacionais e internacionais. Internamente, a avaliação é de que R$ 103 milhões não representam o teto de mercado de um atleta jovem, com potencial de convocação futura e margem de crescimento técnico.
Risco jurídico ou estratégia política?
O impasse coloca o clube diante de dois cenários. No primeiro, o Corinthians mantém a decisão e aposta na valorização esportiva do atleta, assumindo eventual risco de questionamento jurídico por parte do Milan. No segundo, a diretoria pode reabrir conversas para ajustar valores ou condições, buscando preservar relações institucionais e evitar desgaste internacional.
Do ponto de vista político, a postura de Stabile também dialoga com o ambiente interno e com a reação da torcida. A venda de um jovem promissor por valor considerado abaixo do potencial pode gerar desgaste significativo em um momento de instabilidade esportiva.
A reunião desta segunda-feira será decisiva para esclarecer os próximos passos. O que era tratado como transferência praticamente concluída agora se transformou em impasse milionário, com possíveis desdobramentos financeiros, esportivos e jurídicos.
Enquanto isso, André segue como atleta do Corinthians, em meio a um cenário de indefinição que pode impactar diretamente o planejamento da temporada.



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