Real Madrid dá passo histórico para receber investimento externo e iniciar nova era financeira
Pela primeira vez desde 1902, o Real Madrid pretende abrir uma pequena parte de sua estrutura para investimento externo. A proposta, apresentada por Florentino Pérez na assembleia anual, prevê a criação de uma subsidiária com acionista minoritário limitado a cerca de 5% sem alterar o controle absoluto dos quase 100 mil sócios. A medida, tratada como proteção estratégica, ainda passará por votação em assembleia extraordinária.
O Real Madrid vive um momento que pode mudar sua estrutura para sempre. Durante a assembleia anual em Valdebebas, o presidente Florentino Pérez anunciou a intenção de permitir, pela primeira vez, a entrada de capital externo no clube. A mudança seria feita por meio de uma nova empresa subsidiária, na qual um investidor poderia deter cerca de 5% das ações, mas sem qualquer influência no comando do clube.
Pérez explicou que o plano foi estudado ao longo dos últimos 12 meses e busca um equilíbrio delicado: valorizar o Real Madrid financeiramente sem abrir mão de sua identidade como associação. O presidente deixou claro que não pretende transformar o clube em Sociedade Anônima, tampouco abrir capital na bolsa.
Segundo Florentino, o Real Madrid precisa se preparar para um ambiente cada vez mais competitivo no futebol europeu, onde diversos rivais operam com modelos modernos e injeções milionárias de capital. A abertura limitada a investidores serviria para diversificar receitas, fortalecer o clube e, ao mesmo tempo, blindá-lo de pressões externas.
Ele afirmou que qualquer investidor precisará compartilhar os valores do clube e não terá direito de voto. Em contrapartida, receberá dividendos proporcionais aos rendimentos da nova subsidiária. Já os sócios continuarão elegendo o presidente e participando das decisões estatutárias, mas não terão direito a dividendos.
Para avançar, o plano será levado a uma assembleia extraordinária com cerca de 2 mil sócios compromissários. Caso aprovado, seguirá para referendo entre todos os sócios maiores de 18 anos. Só então o modelo poderá ser implementado.
Florentino Pérez ressaltou que o clube “continuará sendo dos seus sócios”, mas defendeu a mudança como necessária para enfrentar um cenário econômico mais agressivo — e para se proteger de adversários institucionais.
Durante seu discurso, o presidente voltou a criticar Javier Tebas, a LaLiga, a UEFA e o Barcelona, acusando o dirigente da liga espanhola de atuar “na clandestinidade” para alterar leis que prejudicariam o Real Madrid. A alteração estrutural, segundo ele, é também uma maneira de “se defender de ataques externos”.
A proposta inclui um detalhe inovador: cada sócio teria uma ação com valor monetário, transmissível apenas para filhos ou netos. O mecanismo ainda será explicado em detalhes na assembleia extraordinária.
Para Moises Assayag, especialista em finanças esportivas, a estratégia reflete o movimento global do futebol:
“O Real Madrid tem grande capacidade de gerar receita, mas entende a importância de diversificar. Se aprovado, esse passo amplia sua competitividade diante de clubes capitalizados e com estruturas modernas.”
Se aprovado, o plano pode virar um divisor de águas não só para o Real Madrid, mas para todo o futebol europeu. A pergunta que fica é: estamos diante de uma inovação necessária ou do início da era em que até os gigantes mais tradicionais precisam rever suas fundações para sobreviver?



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