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Venda de André ao Milan vira novela no Corinthians e pode parar na FIFA

Negociação por jovem volante de 19 anos trava após veto presidencial e gera impasse jurídico com clube italiano

O mercado de transferências do futebol brasileiro ganhou contornos de suspense no início de março com a negociação entre Corinthians e Milan pela venda do volante André. O que parecia um acordo encaminhado entre o clube paulista e o gigante italiano se transformou em um impasse que envolve divergências internas, pressão esportiva e até a possibilidade de disputa jurídica internacional.

A proposta do Milan foi formalizada no fim de fevereiro e previa a compra de 70% dos direitos econômicos do jogador por 17 milhões de euros, cerca de R$ 103 milhões. O valor incluía 15 milhões fixos e mais 2 milhões em bônus condicionados ao desempenho do atleta, que precisaria atuar por pelo menos 45 minutos em 20 partidas até a pausa para a Copa do Mundo de 2026.

O acordo também previa que o Corinthians manteria 20% de participação sobre uma futura venda. Para facilitar a transferência, André teria concordado em abrir mão dos 30% dos direitos econômicos que lhe pertencem. O contrato com o Milan seria válido por cinco temporadas, até junho de 2031, com a mudança efetiva prevista apenas para o meio do ano devido ao calendário das janelas europeias.

Internamente, o executivo de futebol Marcelo Paz conduziu as tratativas e apresentou a proposta ao departamento financeiro, que avaliou positivamente os termos. A expectativa era de que a negociação fosse oficializada rapidamente após a troca de minutas entre os clubes.

O cenário mudou no início de março, quando o presidente do Corinthians, Osmar Stabile, decidiu não assinar o contrato. O dirigente entende que o valor oferecido está abaixo do potencial de mercado do volante e optou por barrar a operação nos termos apresentados.

A decisão ocorreu em meio a um ambiente conturbado após a eliminação do Corinthians no Campeonato Paulista. Na ocasião, o técnico Dorival Júnior criticou publicamente a possibilidade de perder um dos atletas mais promissores do elenco, defendendo que o jogador ainda precisa amadurecer no clube antes de gerar retorno financeiro.

As declarações ampliaram o debate interno sobre a estratégia de mercado. Enquanto a comissão técnica prioriza a manutenção da base competitiva para as disputas de Libertadores, Brasileirão e Copa do Brasil, a diretoria reconhece a necessidade de vendas para equilibrar o orçamento da temporada.

Do lado europeu, o recuo não foi bem recebido. Representantes do Milan consideram que havia entendimento suficiente para validar o acordo e avaliam a possibilidade de acionar a FIFA por suposta quebra unilateral de compromisso. Já o Corinthians sustenta que não houve contrato definitivo, uma vez que a única assinatura com poder legal, a do presidente, não foi realizada.

Especialistas em direito esportivo apontam que a análise pode depender da interpretação sobre a legitimidade das tratativas e os poderes concedidos aos negociadores. Caso o caso avance, a disputa pode se prolongar e gerar consequências financeiras ou esportivas para ambas as partes.

Revelado nas categorias de base do Corinthians, André ganhou espaço no time profissional recentemente e se consolidou como titular em 2026. Em 24 partidas pela equipe principal, sendo dez como titular, o volante de 19 anos marcou quatro gols, desempenho considerado expressivo para sua posição.

O contrato do atleta com o clube vai até o fim de 2029 e a multa rescisória para transferências internacionais está fixada em 100 milhões de euros, o que reforça a percepção de que se trata de um ativo estratégico.

O episódio expõe o dilema enfrentado por clubes brasileiros entre a necessidade de gerar receitas com vendas e o risco de comprometer o desempenho esportivo. Ao mesmo tempo em que avalia propostas por jovens talentos, o Corinthians também busca reforços no mercado, como demonstrado pela negociação para contratar o meia Jesse Lingard.

Com o encerramento da janela internacional no início de março, o futuro de André segue indefinido. A expectativa é que novas conversas ocorram nos próximos meses, seja para retomar o diálogo com o Milan em novos termos ou para encerrar definitivamente a negociação. Até lá, o caso permanece como um dos temas mais quentes do mercado da bola nacional.

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