Conselheiros protocolam pedido de impeachment contra presidente do Corinthians
Documento aponta possíveis irregularidades administrativas e acordo com dívida bilionária como foco principal
Um grupo de sócios e conselheiros do Corinthians protocolou, nesta quarta-feira, um pedido de impeachment contra o presidente Osmar Stabile. O documento foi encaminhado ao Conselho Deliberativo, dando início a um processo interno que pode resultar no afastamento do dirigente.
Após o recebimento, o presidente do órgão, Leonardo Pantaleão, encaminhou a solicitação para a Comissão de Ética do clube. Caberá ao colegiado analisar se há fundamentos suficientes para a abertura do processo e emitir um parecer sobre o caso.
O pedido é baseado em alegações de violações ao Estatuto Social do clube e à legislação vigente. Entre os pontos levantados pelos signatários, o principal envolve um acordo firmado entre o Corinthians e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para renegociação de uma dívida estimada em R$ 1,2 bilhão.
Segundo o documento, a diretoria teria utilizado o Parque São Jorge como garantia no acordo. O complexo imobiliário, que compõe a sede do clube, está avaliado em cerca de R$ 602,2 milhões, o que levantou questionamentos sobre possível comprometimento patrimonial.
A renegociação prevê o parcelamento da dívida em até 120 meses para débitos não previdenciários e 60 meses para débitos previdenciários, com expectativa de quitação ao longo de aproximadamente dez anos. O acordo também incluiu um desconto de 46,6% sobre juros, multas e encargos, reduzindo o valor total a cerca de R$ 679 milhões.
Apesar das condições consideradas relevantes, o grupo de conselheiros questiona a forma como o acordo foi conduzido. A alegação central é de que a decisão teria sido tomada sem o cumprimento das exigências previstas no estatuto do clube, além de poder configurar desoneração indevida de patrimônio.
Outros pontos também foram incluídos no pedido de impeachment. Entre eles, estão questionamentos sobre transparência administrativa e suposto descumprimento de obrigações relacionadas à gestão do clube, como manutenção da Neo Química Arena, distribuição de ingressos e credenciais, e contratação de serviços de segurança armada.
O documento também menciona declarações públicas do presidente. Em entrevista concedida no início do mês, Osmar Stabile citou a existência de possíveis funcionários fantasmas no clube. Os conselheiros cobram providências concretas para investigar o caso e responsabilizar eventuais envolvidos.
A partir de agora, o processo segue para análise interna. A Comissão de Ética deverá avaliar os elementos apresentados e decidir se há base para dar andamento ao pedido. Caso o parecer seja favorável, o tema pode avançar para votação no Conselho Deliberativo.
O desdobramento do caso pode impactar diretamente a gestão do clube em um momento delicado, tanto no aspecto esportivo quanto financeiro. Enquanto isso, a diretoria ainda não se manifestou oficialmente sobre o pedido.
O cenário reforça o ambiente de tensão política nos bastidores do Corinthians, com cobranças por maior transparência e responsabilidade na condução administrativa. Nos próximos dias, a expectativa é de novos desdobramentos conforme o processo avance dentro das instâncias do clube.



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